segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Saudade da Vida


Saudade do que não viveu, mas percebeu.
Vontade do que não sentiu, mas preferiu.
A vida flui, não dependendo do querer, não esperando receber em troca, o que não foi prometido.
Não insistindo no que não foi permitido...
Resvalando no desejo aguçado do desconhecido, desejado...
Escutando tudo aquilo que não foi dito, mas foi pensado...
Ansiando pelo que não foi prometido, mas almejado.
Ah, essa vida de sonhos, de espaços vagos...
De momentos tristonhos.
De angústias no peito.
De palavras cerradas.
De olhos vendados.
De olhar desviado.
De gostos insípidos.
De desejos furtivos.
De cheiros gostosos.
De sons diferentes...
De nuvem branquinha, de sol escaldante.
De chuva cheirosa e céu sorridente.
Ah, vida teimosa, que insiste em ser linda e  reinar sobre a gente.
Traz, sutil, a vontade, a saudade...
Dispensa, às vezes, a vaidade.
Por ser curta, traz urgência.
Por ser rainha, congruência.
Por ser dom, se faz presente,
Que por ser viva...
Eternamente.



Helena de Campos.









segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Simultaneidade




Simultaneamente... acontece aqui, acontece ali, ao mesmo tempo.
 Nada igual. 
Às vezes parecido, mas diferente. 
Aqui pode ser bom, ali ruim, mas simultaneamente, acontece ao mesmo tempo. 
Ali eles gostam, aqui eu detesto, mas é ao mesmo tempo. 
E, ao mesmo tempo, faz chorar, faz dar risada. 
Faz crescer... pode matar.
A vida é bela, mas, simultaneamente, é nua, é crua. 
Não para, não espera. 
Ela simplesmente acontece. 
Ao mesmo tempo, simultaneamente pra toda gente








quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cores que eu nem sei o nome.



No profundo do desejo, almejo o mundo, mas o que vejo é o medo.
Anseio um futuro de sonho, mas o tempo enfadonho passa e, numa lentidão corrida, atropela a vida numa enxurrada de gemidos ressequidos, que ensurdecem meu clamar.
Dividem os olhares, os caminhos, separam as pegadas por novas estradas.
Então, lá vou eu, trilhando novos rumos, novos mundos, novos olhos.
Outras chances, novos lances.
Mais ensejos, sabores, sem dores.
Novos amigos, vívidos...
Novas cores!








quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Delícia

O tempo lá atrás não me disse
desse tudo que, dentro de mim,
outrora negado, escondido,
ainda que um tanto suspeito...

E, por mais que o NÃO insistisse,
o tempo lá atrás não me disse
que um dia seria assim:

Que mesmo o sabendo imperfeito,
sabendo desse seu jeito...
Assim... ainda assim,
eu fosse querer algum dia,
seus beijos (só) para mim.

Desabafo

Sou humana, imperfeita. Capaz de amar! Capaz de errar... de julgar, de trair, de supor e de sonhar. Capaz de concluir e de me auto-analisar. Sou capaz de reconhecer, de voltar atrás. De me arrepender e de duvidar. Sou humana, imperfeita. Tenho amor próprio, busco meus alvos. Às vezes me engano, posso dar meia volta. Sou bonita, sou egoísta, sincera, mas às vezes, recorro à mentira. Sou humana, imperfeita. Capaz de amar! Capaz de chorar! Capaz de gritar pra todos ouvirem: -Sou humana! Imperfeita! Capaz de amar! Amar a vida, a beleza, a simplicidade. Amar a verdade. Sou humana, imperfeita! Capaz! Reconheço a necessidade de mudar, de crescer, de melhorar. Sou humana, imperfeita. Capaz de perdoar... de amar. E você, que é humano, imperfeito... é capaz de quê?